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terça-feira, 16 de setembro de 2014

Onde morremos? Opinião.

http://www.bbc.co.uk/arts/yourpaintings/paintings/sarah-dillwyns-deathbed-224867
http://www.bbc.co.uk/arts/yourpaintings/paintings
/sarah-dillwyns-deathbed-224867
Lendo um Perspectivce Article de David J. Rothman no NEJM recentemente, uma estatística me chamou atenção: Um quinto dos americanos tem seu leito de morte na UTI! E 30% passaram por uma UTI pelo menos um mês antes de sua morte.

Será que nossa ideia de fazer tudo por um familiar, amigo ou paciente significa sempre colocá-lo ligado por cabos e tubos à maior tecnologia possível? Será que isso é sempre o melhor que se pode fazer?

Não falo aqui do paciente com uma intercorrência aguda, muitas vezes previamente saudável, como um jovem após um acidente automobilístico, mas principalmente dos  pacientes em que a natureza já se encarregou de desenhar para nós o seu caminho, próximo, inexorável.

Talvez a fantasia de que "fizemos todo o possível" por nosso querido ente seja uma fantasia que se presta muito mais a amaciar nossa consciência, amenizar a culpa (de médicos e familiares) e nos justificar para a sociedade do que realmente fazer um bem a quem morre.

Historicamente, morríamos em casa junto à família, aos amigos e à comunidade que pertencíamos. Vejam a ilustração acima. Nem crianças precisavam ser "poupadas". Enfim, era um acontecimento da vida, pois como se diz, para morrer, basta estar vivo. Algumas outras mortes ocorriam mais distantes, com as guerras, mas a ideia de não ser alguém próximo a fechar os olhos do morto trazia frustração para a maioria das famílias. Quantas não foram as descrições de enfermeiras a relatar soldados que pediam que elas assumissem o papel de mãe e assim as chamavam no leito de morte?

Mas a medicina desenvolveu-se e trouxe consigo a primeira separação da morte que veio com a criação dos hospitais. Separou-se a pessoa da comunidade. A morte ficou mais distante... Próxima de um ou outro acompanhante e alguns visitantes em horários de visita pré-definidos. E então veio a dupla separação. O paciente foi segregado pela segunda vez dentro do próprio hospital. Foi para UTI. Sem acompanhante, só com horários de visita restritos. E a morte cada vez mais distante, mais escondida... Hoje em dia, um tabu.

Não se pode condenar a existência de hospitais, UTIs e tecnologia de ponta que salvam muitas vidas. São necessários! Mas reflito sobre a nossa forma de encarar e proceder como profissionais, familiares e amigos frente à morte e ao processo de morrer. Um agravante nesse processo é que parece que todos sabem o que é o melhor para o doente/paciente, mas a figura que usualmente menos se ouve para saber de preferências e desejos é justamente a figura do próprio "morrente", o maior interessado.

Há uma tendência de descenso nessa estatística de morte hospitalar, provavelmente graças a toda uma discussão de morte digna e à ascensão dos cuidados paliativos como instrumento de cuidado. Modificações de posturas e quebra de protocolos em hospitais e UTIs a permitir mais contato, enfim mais liberdade, autonomia  e escolhas para quem está a morrer. Ainda assim, esses números são muitos altos e essa discussão  com o "morrente" usualmente é tardia, por vezes, quando tem sua capacidade de decidir já abalada.

Parece que a morte e o morrer é algo a ser escondido. Percebem como muitas vezes se é privado de informações relativas à própria morte? Quantos já não tiveram o familiar a perdir para não contar nada ao morrente, independentemente da vontade dele? E aqui não digo que não seja revestida da melhor intenção de poupá-lo. Mas também quantas vezes não é nossa própria postura contar tudo aos familiares e nada ou pouco ao doente? Esperar, como se fosse dever do familiar ou acompanhante dar a notícia? Como poderá ele esclarecer dúvidas ou compartilhar planos terapêuticos ou paliativos?

Encaramos como se fosse um trauma muito grande e insuportável. E o é. Grande. Somente ocasionalmente insuportável. Por isso a máxima: "O paciente tem o direito de saber, não o dever de saber sobre sua condição", como já discutimos aqui (vale a pena reler! - Como dar notícias ruins?). Faz parte da relação médico-paciente essa avaliação e conduta. Não podemos nos furtar dela.

Estar ciente de sua finitude pode acelerar processos, fechar ciclos, fortalecer relações. Obrigados, perdões, reconciliações, adeus e últimas palavras podem não surgir quando assumimos a intenção de "poupar" quem morre, usando nossos valores e desconsiderando a possibilidade deles serem bem diferentes dos de quem morre. Não existe figura que possa advogar com maior propriedade sobre os interesses de quem morre: o próprio "morrente".

Então refletindo sobre a morte e o morrer, se pergunte: O que seria uma boa morte para você? Pode ser bem diferente do que você imagina para outros...

Sugiro, mais uma vez, assistir ao vídeo da Dra. Ana Cláudia Quintana Arantes. A morte é um dia que vale a pena viver.

Segue o artigo do NEJM:

Where We Die
David J. Rothman

PDF aqui.

Enviado via iPad de Rainardo

OBS: Os textos com marcadores "opinião" refletem o pensamento dos autores do texto e não necessariamente do serviço de Clínica Médica.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Artigo de opinião: Global Tuberculosis - Perpectives, Prospects ans Priorities - JAMA

Caros,

Segue artigo de opinião publicado Online First no JAMA (Journal of the American Medical Association) em 4 de setembro sobre o impacto Global da Tuberculose com dados mundiais e recentes.







segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Free Today: Ebola topics Free on UpToDate


Caros,

Seguindo os chamados da WHO e CDC para os casos de Ebola na Africa e possível transmissão mundial, o UpToDate tornou free os seus artigos relacionados à clínica e tratamento do Ebola. Vejam abaixo:


Fonte: folhavitoria.com.br
The following topics on Ebola virus disease are freely available to the public and will be updated as new information is reviewed:






sexta-feira, 25 de julho de 2014

Novos guidelines sobre lavagem de mãos e prevenção de infecção Hospitalar

Fonte: https://www.portalvital.com/

Novos guidelines sobre lavagem de mãos e prevenção de infecção Hospitalar




By Kelly Young
The Society for Healthcare Epidemiology of America and others have released expert guidance on proper hand hygiene in the healthcare setting in Infection Control and Hospital Epidemiology.
Among the recommendations:
  • Soap and alcohol-based hand rubs (ABHR) should be conveniently located for routine hand hygiene in all areas where patients are seen. Staff members should be consulted on the products' tolerability.
  • Healthcare workers should wash their hands with soap and water or use ABHR before direct patient contact, preparing or handling patients' medications, and moving from a contaminated body site to a clean body site on a patient.
  • Hands should also be cleaned before and after using an invasive device and after contact with bodily fluids, direct contact with a patient, or contact with a patient's surroundings.
  • When hands are visibly soiled, healthcare workers should use soap and water, not ABHR.
  • Soaps containing triclosan should be avoided because of the risk for antimicrobial resistance.
  • Hand hygiene adherence should be monitored either directly (e.g., by technology) or indirectly (e.g., by tracking the volume of product used).

domingo, 20 de julho de 2014

Sessão Clínica Médica 18/07/2014 - Arterite de Células Gigantes e Polimialgia Reumática

Caros,

Segue a apresentação do R3 Mário Henrique sobre arterite de células gigantes e polimialgia reumática em conjunto com a referência principal, publicada esse mês no NEJM.



Veja a apresentação abaixo ou baixe o arquivo PPT aqui.



segunda-feira, 26 de maio de 2014

Caso Clínico para New England de 29/05/2014

Caros,

Segue caso clínico para discussão no New England de 29/05/2014:

O caso original completo será disponibilizado após a discussão.
  •  
    Case 7-2014: A 27-Year-Old Man with Diarrhea, Fatigue, and Eosinophilia. 
    N Engl J Med 2014;370:861-72.

Abraços,



terça-feira, 11 de março de 2014

Polivitamínicos: algum efeito em doenças cardíacas, perda cognitiva, câncer e morte?

Fonte: http://www.informacaonutricional.blog.br


"Dr., me passe uma vitamina bem boa!"
"Dr., qual é a melhor vitamina pra eu tomar?"
"Dr., qual a vitamina mais completa?"

Quantas vezes não escutamos essa pergunta de pacientes hígidos e eutróficos, pela crença de que polivitamínicos melhoram a saúde e/ou ajudam a ficar "fortes"? Ou pela crença da necessidade após tratamento antiparasitário?

Bem, somos responsáveis pela medicina que nós e nossos colegas praticam, então é importante esclarecermos nossos pacientes da ausência de benefícios e, na verdade, até presença de malefícios do consumo indiscriminado de polivitamínicos.

Evitemos "passar por passar" polivitamínicos só para agradar o paciente ou para evitar "perder tempo" explicando... 

Americanos gastam anualmente e, em sua maioria, inadequadamente, 28 bilhões de dólares com polivitamínicos... Qual será a nossa cota??

Claro que existem patologias que necessitam da reposição vitamínica e existem situações de risco para sua depleção, então, como para todo paciente, é imprescindível uma avaliação médica com boa boa anamnese...

Mas afinal, existe algum efeito comprovado do uso de polivitamínicos em pessoas saudáveis com o objetivo de prevenir doenças cardiovasculares, perda cognitiva, câncer ou morte? Infelizmente, as evidências científicas não animadoras...

Para ajudar nos argumentos, segue texto extraído do ACP Internist com artigos publicados no Annals of Internal Medicine que ajudam a embasar.


Fonte:

The last nail in the coffin for multivitamins

How much money would the U.S. auto industry be making if every car they sold never started? How much could video game console makers charge if their products didn't play any games? Well, in 2010 the U.S. dietary supplement industry sold $28 billion dollars in vitamins, minerals and other supplements that, as far as we can tell, benefited virtually no one.

Annals of Internal Medicine published 3 studies examining the effects of multivitamins. This is not the first investigation of a mysterious unexplored field. Lots of studies have already shown that in well-nourished people living in the Western Hemisphere, multivitamins are not helpful. Think of this more as sweeping away any traces of doubt.

One study explored the effects of a high-dose vitamin and mineral supplement on heart disease. About 1,700 patients who had a heart attack in the past were randomized to the supplement or a placebo. They were followed for four years to measure their rates of recurrent cardiovascular events. There was no difference in the occurrence of these events between the group receiving the supplement and the group receiving placebo.

Another study examined the effects of a multivitamin on cognitive decline. About 6,000 male physicians aged 65 and older were randomized to a multivitamin or placebo and given a battery of 5 tests of cognition and memory over 12 years of follow up. The 2 groups did the same.

The third study was a review of prior studies of vitamin and mineral supplements for the prevention of cancer or cardiovascular disease. The study conclusion was negative. There is no reason to take vitamins or minerals for cancer or cardiovascular disease prevention. And the review highlighted the harms of some vitamins. β-carotene and vitamin A increase lung cancer risk in smokers, and vitamin E increases the risk of prostate cancer.

An editorial in the same journal issue crystalized our current knowledge: In conclusion, β-carotene, vitamin E, and possibly high doses of vitamin A supplements are harmful. Other antioxidants, folic acid and B vitamins, and multivitamin and mineral supplements are ineffective for preventing mortality or morbidity due to major chronic diseases.

Their conclusion: The message is simple: Most supplements do not prevent chronic disease or death, their use is not justified, and they should be avoided.

There are specific patient populations who are especially vulnerable to vitamin malabsorption, such as those who have had intestinal surgery and patients on long-term acid suppressing medications. They may be recommended specific vitamin supplements. Women in their child-bearing years should take folic acid. And it's possible that vitamin D in the elderly prevents falls. But apart from those narrow groups, well-nourished people don't benefit from supplements. (I don't take any vitamins or minerals.)

Perhaps the latest studies and the barrage of resulting media coverage will make a difference. Then maybe we could save some of that $28 billion and spend it to buy some skepticism.

Learn more:
Oral High-Dose Multivitamins and Minerals After Myocardial Infarction: A Randomized Trial (Annals of Internal Medicine article. Abstract available without subscription)
Long-Term Multivitamin Supplementation and Cognitive Function in Men: A Randomized Trial (Annals of Internal Medicine article. Abstract available without subscription)
Enough Is Enough: Stop Wasting Money on Vitamin and Mineral Supplements (Annals of Internal Medicine editorial. Subscription required.)
A Reminder to Dump Your Multivitamin (my post from 2011 reviewing the known effects of various vitamin supplements)

Albert Fuchs, MD, FACP, graduated from the University of California, Los Angeles School of Medicine, where he also did his internal medicine training. Certified by the American Board of Internal Medicine, Dr. Fuchs spent three years as a full-time faculty member at UCLA School of Medicine before opening his private practice in Beverly Hills in 2000. Holding privileges at Cedars-Sinai Medical Center, he is also an assistant clinical professor at UCLA's Department of Medicine. This post originally appeared at his blog.


Enviado via iPhone de Rainardo Puster

Caso clínico para discussão no New England de 13/03/2014

Caros,

Segue caso clínico para discussão no New England de 13/03/2014:

Abraços,